A Caminhada

Recebi esse belo texto do meu amigo Paulo que, com sinceridade, sabedoria e amor, nos fala sobre a caminhada.

A Caminhada

Saí caminhando, sem saber por onde iria passar, qual caminho iria seguir. Simplesmente fui seguindo as pessoas. No início estava com medo, mas depois comecei  a driblar esse medo, sorrindo, dando enormes gargalhadas. Isso foi me contagiando e ao mesmo tempo contagiando as pessoas que seguiam. Essa descontração foi tornando o caminho mais leve. Fui ficando mais autoconfiante.

No caminho, eu escorreguei várias vezes, mas me levantei, sem reclamar e me coloquei novamente a caminhar.

Sabíamos que chegaríamos a algum lugar, mas não sabíamos onde chegaríamos, nem tão pouco, quando chegaríamos.

Tivemos momentos de desconfiar que o caminho estava errado, que o líder não sabia onde estava nos levando, mas conhecendo o mestre e a nós mesmos, superamos o medo e a desconfiança.

Ao mesmo tempo, que fui amparado nos momentos mais difíceis, consegui amparar quem mais precisava pelo caminho. Isso me fez mais auto confiante, mais forte e mais caridoso.

Com o passar do tempo, já não me preocupava mais em chegar, e sim, em aproveitar o caminho. Parei de olhar apenas para o chão e comecei a olhar para os lados, para cima, para frente, apreciando a beleza que estava a minha volta.

Com o passar do tempo, a cada passo, comecei a gostar mais dos pingos de chuva, e agradecer e abençoar por estar chovendo.

Os demais caminhantes

No meio do caminho, encontrei obstáculos, uns mais fáceis, outros mais difíceis, mas em nenhum momento, reclamei e achei que não iria conseguir. Alguns amigos, duvidaram que eu poderia. Agradeci, e usei a dúvida deles, como alavanca para me impulsionar e me auto superar.

Não foi fácil. Muitas vezes a trilha ficava mais estreita, quase não conseguíamos ver qual o era o caminho, mas alguém nos direcionava, e nossa intuição falava mais alto.

Muitas vezes o caminho era mais arriscado, perto de grandes buracos e precipícios. A coragem de prosseguir falava mais alto.

A certeza de não estar só, nos dava confiança e tranqüilidade. A certeza de ter uma mão amiga se precisássemos, tornava o caminhar mais leve e tranqüilo.

Queríamos sim, dar conta das dificuldades do caminho sozinhos. Mas nunca estamos só, e isso nos traz tranqüilidade e paz.

Em alguns momentos precisávamos parar para respirar, tomar forças, se recuperar. Sabíamos que era necessário, pois assim podíamos continuar caminhando.

Todos respeitavam o momento de cada um.

Uns andavam a passos mais largos e fortes, outros a passos mais curtos, inseguros. Porém, todos caminhavam, seguindo a passos diferentes, cada um com seu caminhar, mas todos pelo caminho.

A mãe natureza

A natureza a nossa volta, estava lá. Nós estávamos entrando em seu mundo e alterando a ordem natural  de tudo. Ela não nos prejudicava em nosso caminhar, apesar de estarmos alterando sua ordem natural. Ela pelo contrário, nos ajudava. Quando tivemos sede, ela nos deu água para beber, quando precisávamos subir um aclive, ela nos dava galhos e árvores para nos apoiarmos. Mas ela simplesmente, estava lá.

Os animais saíam do caminho, para que pudéssemos passar. Talvez tenha faltado o nosso respeito e a nossa preocupação em deixar o mais intacto possível a natureza. Talvez pudéssemos ter feito diferente. Talvez precisamos pensar mais sobre isso. Talvez precisamos mudar a forma de interagir com a Mãe Natureza. Talvez precisamos adequar nosso caminho, respeitando a MÃE NATUREZA, A MÃE TERRA.

Na nossa jornada, a cada passo que dava, o tempo ia passando, o dia ia se findando e a noite vinha chegando. A cada passo que dava, ia em direção ao fim dessa caminhada, querendo que ela terminasse, mas sem refletir que o fim não é o objetivo, e sim o próprio caminho e o que isso traz para mim, como aprendizado, como processo evolutivo, como trabalho, como crescimento.

Na caminhada alguns com passos mais largos, se adiantavam e se distanciavam do grupo. Os que estavam mais a frente, não sabiam como estavam os que estavam mais atrás. Os que estavam mais atrás, não sabiam como estavam os mais a frente. Entre o primeiro e o último havia uma grande distância. Assim também é na nossa vida. Uns seguem mais acelerados, outros mais devagar, sem se preocupar com o todos. Sua preocupação está apenas naqueles que estão mais próximos.

Caminhei em grande parte do caminho ajudando quem estava do lado. Apenas poucos trajetos do caminho, estava caminhando sozinho e livre. Isso me fez refletir sobre minha missão de vida, a qual escolhi antes de vir para cá, que é ajudar quem precisa e quer ajuda. Não me senti mau com isso, pelo contrário, me senti muito bem, podendo ajudar os outros pelo caminho. Ajudar é um dos motivos de estar aqui. Ao mesmo tempo que ajudo alguém, estou ajudando a mim mesmo e fazendo o mundo ser melhor.

O sentimento de gratidão o qual as pessoas tiveram para comigo, foi muito bom, mas não quero que se sintam na obrigação e no dever de fazer algo por mim. Preciso deixá-los livres disso.

 Os “mosquitos” do caminho

Uma coisa me incomodava: os mosquitos do caminho. Eles estavam lá e vinham frequentemente nos picar. Tínhamos que usar repelentes para poder inibir seus ataques, mas depois de um tempo, passava o efeito do repelente, lá vinham eles novamente.

Assim também é nossa vida, em muitos momentos haverá mosquitos nos incomodando,precisamos inibir seus ataques, mas mesmo quando não conseguirmos, a partir do momento que deixei de dar atenção a eles, deixaram de incomodar. Segui meu caminho. Até os mosquitos fazem parte dele.

Encontramos uma cobra. Ela ficou parada, nos observando. E nós observando ela. Mantendo distância. Assim também precisamos fazer em nossas vidas.  Há pessoas e coisas na vida, que o melhor é manter distância. Ficarmos longe, respeitando e se fazendo respeitar, mas se mantendo longe.

A Alegria e a felicidade do caminho,  fez a diferença no caminhar. Que possamos caminhar sempre alegres e felizes, pois isso nos leva mais longe e faz do caminho, um caminhar mais leve, que flui melhor.

O rio

O grupo, quando estava prestes a chegar ao destino, esperou os que haviam ficado mais para traz, para que todos chegassem juntos ao destino. Quando em grupo, é necessário pensarmos e agirmos em grupo.

Quando percebemos que estávamos próximo do destino, a ansiedade aflorou. Nesse momento me descuidei e cai novamente. Na vida, o equilíbrio é necessário a todo momento.

Mas que satisfação, quando chegamos no rio. Encontramos água fresca e mergulhamos de roupa e tudo. Nos tornamos todos, UM.

Que maravilha compartilhar do caminho com pessoas queridas e amadas. Que maravilha compartilhar do caminho com pessoas, com a natureza, com a mãe terra.

Que maravilha compartilhar.

Todas as trilhas, todos os caminhos, levam ao mesmo lugar. Como quero caminhar?

Qual caminho quero seguir? Com quem quero caminhar?

Somos livres para escolher, e o caminhar é necessário. Assim seguimos em frente, aprendendo, evoluindo, construindo memórias, amizades, plantando boas árvores, para colher bons frutos.

Que bom poder caminhar!

 

Autoria: Paulo Henrique Codogno

Fonte da Imagem: Gazeta do Povo

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